
Lama Suor e água
Já dizia Miguel de Cervantes que ” A perseverança é mãe da boa sorte”, acho que esta frase tem tudo a ver com o post que começo a escrever. Algumas semanas atrás ligou para mim o Sr. João Cadete expressando sua vontade de conhecer o Brejo paraibano, fiquei feliz principalmente porque ele mora em João Pessoa, por incrível que pareça os paraibanos não conhecem seus estado e prova disso é que temos recebido mais pessoas do Rio Grande do Norte para visitar nossa região do que os nossos conterrâneos da capital e menos ainda do Sertão.
Tudo ia bem com o planejamento da vinda de João com sua família, até que um belo dia a estrada (PB 105) que nos liga até a capital fica sem condições de tráfego. O pior foi saber que o dono do hotel para o qual João viria o desestimula dizendo que não tinha condições dele chegar até aqui, mas isto não o desanimaria, de pronto ele faz reserva em outro equipamento( Hotel Vale do Paraíso em Bananeiras). Ao ligar pra me informar dos fatos e sugiro algumas opções de rota para ele chegar até Solânea.No dia planejado, neste dia visitamos Bananeiras e o Cruzeiro de Roma, nossa aventura estava marcada para o outro dia.
Na Segunda nos encontramos de manhã no hotel e saímos para Borborema, lá deixamos o carro e segumos a pé até a Cachoeira do Roncador, o problema era como voltaríamos de lá depois de andarmos 8km em uma trilha pesada, principalmente por causa da lama, eu esperava que encotraríamos um pouco de dificuldade na trilha devido as chuvas, mas nada parecido com o que tivemos pela frente. Para resolver o problema da volta contratamos motos para nos pegar às 15:00 na cachoeira já que a estrada não passava carro. Seguimos pela trilha por volta das 10:00h, a previsaão de chegada seria às 12:30h no máximo, mas não contavamos com tanta lama, na verdade nunca tinha visto tanta lama nesta trilha. Evidente que a caminhada ficou muito devagar devido aos cuidados peculiares de um terreno escorregadio e com muita água, mas no fim acabou sendo muito divertido, a trilha que duraria no máximo 2:30h acabou em 4h, chegamos no almoço às 2:00h da tarde. Logo após enchermos o buxo fomos visitar a cachoeira, tivemos que atravessar o rio com um certo cuidado, meu amigo Tiago (membro do p9) me ajudou durante todo trajeto e sua presença se mostrou importante principalmente na travessia que se tornou o momento mais delicado do dia, graças a Deus a Tiago e a um pedaço de corda conseguimos que todos cruzassem sem nenhum problema, ao chegarmos na cachoeira ficamos deslumbrados com a mais bela paisagem da maior cahoeira da Paraíba em plena cheia, um momento mágico, um encontro com o criador.A volta foi tão aventureira quanto a ida, as motos deslizavam que parecia que estávamos andando sobre o sabão, mas tudo terminou bem, a não ser pelo banho de lama que alguns sofreram, nada que não saísse com uma boa ducha de água limpa.
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Qundo acordei às 04:30h não sabia ao certo se continuaríamos a caminhada por mais 20km até o santuário em Santa Fé, tudo ia depender das condições físicas dos meus camaradas, pois já tinha certeza que Verônica não seguiria. Cheguei no hotel às 05:30h e a primeira notícia que o vigia me dá é que Primo havia saído ás 03:30h para Santa Fé, confesso que fiquei um pouco preocupado porque ele não sabia o caminho e poderia se perder no escuro, mas logo receberíamos uma ligação dele ( às 06:30) dizendo que já havia chegado ao destino final e que esperaria por nós, fiquei aliviado também porque ele foi pela PB 105 e não pela zona rural ( seria mais difícil saber a trilha). Segui então com o camarada Ivan que se mostrou disposto a concluir o que começou. Saímos do hotel às 06:45h, não tínhamos pressa em chegar, mas o desejo da chegada era latente nos seus olhos, fomos num ritmo que ele não sentisse muito seu joelho, o mesmo ainda se encontrava com problemas. Os momentos de mais dor eram nas subidas e principalmente nas descidas. Foi uma caminhada a dois muito interessante aproveitamos para conversar muito e nos conhecermos melhor, paramos no km9 na casa de minha conhecida Dona Pretinha e sua irmã, fomos recebidos muito bem, inclusive tomamos um cafezinho na sua cozinha. Uma outtra parada interessante onde comemos manga fresquinha foi na casa de Dona Maria Borges no km16, lá assinamos o livro dos peregrinos e marcamos nosso nome na história do caminho ( no meu caso pela sexta vez). Até então foram 16km de muiti esforço e superação por parte do meu amigo Ivan, uma verdadeira lição de força de vontade, aprendi que não conhecemos nossos limites . Já dizia Miguel de Cervantes : ” A perseverança é a mãe da boa sorte”. Chegamos no nosso destino final ao meio-dia e meia, foi uma grande emoção, Cantalice nos esperava e quando nos viu agradeceu aos céus pelo milagre presenciado, para mim foi a chegada mais emocionante de um peregrino que presenciei, fomos todos envolvidos por uma forte emoção, e mais ainda após um acontecimento (que me reservo ao direito de não torná-lo público por ser de foro íntimo) que fortaleceu a minha fé e com certeza de Ivan e Primo também. Fomos recebidos pela írmão Maria que nos mostrou todo complexo do santuário e após a visita ao túmulo do Santo Padre fomos almoçar.
A meia-noite eu acordo com um barulho no local onde dormíamos, era meu amigo Cantalice se preparando para começar a caminhada, assim é demais, na vedade todos já estavam acordados, não sei se por causa da ansiedade para recomeçar a trilha ou foi coincidência das necessidaes físicas da madrugada. Logo volto a dormir sob os risos de Cantalice após erguntar que horas eram para Ivan. Ás 06:45h depois do café seguimos descendo o Cruzeiro de Roma com objetivo de chegar no Hotel Vale do Paraíso em Bananeiras. A descida força muito o joelho e Ivan já inicia o dia com dificuldades, mas mesmo assim ele continua, Verônica dá sinais de que este talvez seja seu último dia de caminhada, ela diminui muito seu ritmo e caminha lentamente fazendo um grande esforço para continuar, enquanto isso( pra variar), nosso amigo Cantalice – passarei a chamá-lo de Primo- dispara mais uma vez na frente, só nos encontraríamos em Bananeiras em frente a Igreja Matriz. Nossa primeira parada foi no Engenho da Cachaça Rainha, Ivan cuidou de um calo, Verônica se abasteceu com água e continuamos o caminho, depois de subirmos uma boa ladeira em Goiamunduba, paramos na casa de Dona Celeste para pedir água e uma jaca que estava no chão dentro do seu terreno, ela nos atendeu com muita hospitalidade pedindo pra sua neta subir na jaqueira e tirar outra fruta por que aquela não estaria boa para o consumo, ficamos mais felizes ainda quando descobrimos que a jaca era dura, foi uma festa debaixo daquela maravilhosa sombra, nos fartamos e depois de encher um saco com bagres seguimos nosso caminho, não antes de agaradecer toda hospitalidade e carinho daquela família que logo se mostrou pronta pra servir. Quando chegamos na cidade de Bananeiras o cansaço e esgotamento por parte do casal era visível, antes de atingirmos a Igreja Matriz descemos uma grande ladeira que deve ter piorado ainda mais o joelho do meu amigo, é tanto que quando paramos na matriz depois de 13,5km percorridos , vi que não tinha condições dele continuar e chamei um moto táxi para conduzí-lo até o hotel (por mais 1,5km), sua esposa aproveitou e pegou um também, eu e o Primo continuamos por mais 30minutos , confesso que cheguei muito cansado, o sol já nos castigava e minha sandália não ajudava, estava com minhas panturilhas muito doloridas. Ao chegar no hotel tomei um banho e esperei todos para almoçar, só tive a companhia dos dois camaradas, Verônica não conseguiu nem se levantar da cama, Ivan se mostrava um pouco desesperançoso no olhar quanto seu futuro, tentei não influenciar muito na decidão dele continuar, tive medo de encorajá-lo e ele ter complicações no joelho, mas no próximo post saberemos se ele continuou sua jornada.
O Patrulha9 tem visitado a Serra da Caxexa localizada no município de Casserengue a 25km de Solânea, o objetivo é futuramente tornar o lugar uma referência no esporte de aventura na região, potencial o lugar tem. Embora nossas visitas tenham se iniciado a quatro anos atrás, só agora eu despertei para escrever sobre isto.


